segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

Precipício


(Freepik)







Vou mergulhar no seu caos

Vou me deixar cair, cair, cair…

Vou me despedaçar em seu abismo

Vou me vestir de seus espinhos

Vou me entregar ao seu desejo

Vou provar de sua divindade

Na epifania do êxtase

Na benção dionisíaca

No Nirvana!

Retomar a origem

Voltar a ser poeira cósmica!

Até nada ser!

Até evaporar!

Purpurinando-me no caos!







Ressuscitando no dia seguinte

Vou me banhar em seu leite

Saciando a luxúria insana

Aceitarei ser consagrada por ti

Ao redor do fogo

Ser transformada na luz da tua criação

Na invenção da Volúpia

Em transe dionisíaco imersa em seu destino

Não arredarei-me de ti

Dançarinos do fogo

Vejo um cisne de luto

E indago:

-O que se fez dele?

-É o corvo, do baobá faz morada!

Respondeu o cisne.

Melancolicamente choro!

Navego no rio do meu próprio pranto

Sigo em caminho desconhecido

A esmo ando pelas areias tórridas do deserto

É da imensidão do cosmos

Assim caminhante perdi-me no tempo

Desmaiada de cansaço

E penso em ti com a descomunal energia de amantes

Num idílico devaneio sinto seus lábios úmidos tocando os meus lábios

Meu maior sonho é real?

Não sei…

Miro longinquamente o baobá azulado

Chego mais perto

Avisto o corvo negro

Ele abre as asas e abriga-me

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